12.12.06

the simpsons classic line #89

Mayor Quimby: "can't we have one meeting that doesn't end with digging up a corpse?

another one that got away...

steve bell cartoons

depois de suharto, pol pot, idi amin, milosevic e outros tantos... fuck you pinochet!!!

tracklist das últimas semanas

01 tom waits - orphans 02 jj cale & eric clapton - the road to escondido 03 m. ward - transfiguration of vincent/transistor radio/post-war 04 albert hammond jnr - yours to keep 05 ali farka touré - savane 06 midlake - the trials of van ocupanther 07 regina spektor - begin to hope 08 the pipettes - we are the pipettes 09 the fratellis - costello music 10 sufjan stevens - the avalanche 11 richard hawley - coles corner 12 amy winehouse - back to black 13 lila downs - la cantina entre copa y copa 14 nina simone - broadway blues ballads 15 sonic youth - rather ripped 16 the modern jazz quartet - reunion at budokan

time

hello blog. long time no see...
acabas por ser uma das vítimas quando o tempo não dá para tudo.
tem piada como as circunstâncias variam como as marés na praia deserta lá em baixo. entre o instituto de socorros a naúfragos e o geyser chapado de geneva, meia dúzia de pescadores enrugados e aos quadrados queixam-se daquilo do aquecimento global que vem no correio da manhã e do aumento do preço da minhoca mas têm tempo para apanhar taínhas e robalinhos junto ao paredão da marginal que circunda a praia velha, finalmente protegida da fúria invernal de neptuno e da constante falta de perícia dos ases chuning da linha. ainda falam os homens em matar tempo quando é o tempo que os mata devagar...
até a bófia voltou a ocupar a escapatória do forte antes da curva dos pinheiros, em tempos a mais mortífera do velho continente, à procura de alguma alma tresmalhada que tenha passado o vermelho a mais de cinquenta enquanto buscava sem jeito a segurança enrolada do cinto protector. nunca foi tão fácil e, finalmente a salvo dos pingões atlânticos, podem retomar o ritual do habitual. não faltam novatos para treinar e o cabaz de natal da esquadra mais próxima agradece a colaboração do público em geral. já agora, vidros com películas, fumados e afins são infracções de grau 2 no IPO e dão chumbo directo para quem não sabe...
parecia uma boa ideia na altura. fazer seis meses de full-time para o inverno passar mais depressa. as libras nunca são a mais e a variedade de viagens melhora substancialmente - a ver se é desta que vou a calgary, shanghai e ilhas maurícias, destinos recentes no quadro que ainda não encontraram o caminho para a minha rota pessoal. variedade é a pimenta da vida e o frigorífico cinzento pede mais imãs parolos para começar a cobrir a parte do congelador.
não me lembrei foi da constante falta de tempo. george bernard shaw disse que "acontece tudo a toda a gente, mais cedo ou mais tarde, se houver tempo suficiente". esqueceu-se foi do óbvio. se houver tempo suficiente para que tudo aconteça, deixa de haver tempo para tudo poder acontecer. o tempo fica sem tempo. ou estou enganado? quando passo uma semana por mês em portugal a levantar camisas da lavandaria porque não há tempo para fazer máquinas, a ouvir a estática inicial do rádio quando ligo a ignição a precisar de novo contacto, a pagar contas que acumulam na caixa do correio cheia de revistas locais e folhetos a prometer televisões mais baratas uma semana depois de ter comprado uma nova. quando passo três semanas por mês de um lado para o outro, mais país menos continente, a dizer à recepcionista de hotel o número de quarto da semana passada no outro lado do planeta, quando sei a ordem das músicas no leitor de mp3 porque são as mesmas desde outubro e as decorações natalícias aparentam estar presentes desde julho, quando... pronto. não há tempo!
eu bem tento arranjá-lo mas está difícil. preciso de começar uma tradução chatíssima de um contrato de 40 páginas, editar um catálogo de fotografias em 'proshow gold' para umas tias de cascais que o padrasto conhece e pagam em cash, ir almoçar a évora com um amigo piloto antes que este troque a inocência dos mosquitos da sala de aulas pelo anonimato gigantesco dos boeings, voltar a atravessar as pontes do douro à procura do prato sempre cheio de memórias e convívio salutar, responder a emails, ir ao dentista, ver filmes, dormir, respirar...
e tentar passar por aqui com mais assiduidade.... havia tanto para dizer, tantas histórias para escrever e comentar mas... já sabem como é. ficam para mais tarde.
later...

júlio césar & george bush

Júlio César tinha a Gália; Bush tem rancor.

Terry Jones
The Observer

Em 59AC, Júlio César declarou estar tão chocado com as incursões à Gália da perigosa tribo dos Helvécios, e com o sofrimento dos povos gauleses, que se auto nomeou "protector dos Gauleses". Quando acabou o período de protecção, mais de um milhão de gauleses tinha morrido, outro milhão estava escravizado e Júlio César era dono de uma enorme fatia da Gália. Apesar de não estar a sugerir que haja qualquer comparação entre a protecção de George W Bush ao povo Iraquiano e a protecção de Júlio César aos Gauleses.
Para começar, Júlio César, como todos sabemos, era careca e George W Bush tem bastante cabelo.
Em qualquer caso, George W Bush, pelo menos em termos pessoais, não está a ganhar montes de dinheiro com isso. Esse papel está nas mãos capazes e competentes de companhias como a Haliburton, CACI International e Blackwater Security.
É verdade que as acções do vice presidente Dick Cheney na sua antiga companhia, Haliburton, dispararam de $241,498 em 2004 para $8m em 2005 - um aumento de 3,281 por cento.
Por outro lado, Dick Cheney é careca.
O ponto que estou a tentar passar é que não existe absolutamente qualquer comparação entre a invasão de Júlio César à Gália em 58-50AC e de George W Bush ao Iraque.
Senão vejamos, Júlio César teve o descaramento de fingir que o estado Romano estava ameaçado pelos eventos passados na Gália. Ele alegou e defendeu a necessidade de atacar os Helvécios de forma pre-emptiva na defesa dos interesses da segurança nacional. Na realidade, os seus motivos foram políticos. Júlio César precisava desesperadamente de uma vitória militar para aumentar o prestígio em Roma e assim obter a base de apoio popular para garantir o poder.
George W Bush, por outro lado, já estava no poder quando invadiu o Iraque e, de qualquer forma, não precisava de aumentar a sua popularidade, porque o voto popular não teve nada a ver com a sua chegada ao poder em primeiro lugar. Júlio César era igualmente um afoito e hábil propagandista que fez valer a sua versão dos eventos até ao fim. Até escreveu oito livros sobre as suas guerras na Gália para garantir o anterior. George W Bush não precisa de recorrer a tal medida. Tem a cadeia de televisão Fox News.
Quando Júlio César declarou a sua gloriosa vitória sobre os Helvécios, fez dar a entender que havia destruído um vasto exército de homens 'brutos e selvagens'. Júlio César pensava ter massacrado mais de 250,000 'insurgentes'. No entanto, documentos encontrados nos destroços do campo Helvécio mostraram que apenas 92,000 pessoas entre as 368,000 residentes foram capazes de lutar e empunhar armas. Por outras palavras, não foi um exército que Júlio César massacrou mas uma população inteira incluindo mulheres, crianças, velhos e enfermos, algo que George W Bush e Júlio César têm em comum: fazerem de conta que civis são insurgentes armados.
Mas aí acaba a comparação. Uma das diferenças fundamentais entre Júlio César e George W Bush é que Júlio César contava os mortos e George W Bush simplesmente não se importa. Consta que, enquanto comandante das forças armadas, George W Bush instruiu os seus soldados para não contarem os mortos do inimigo. Por isso, o facto de ele insistir na estimativa de apenas 30,000 Iraquianos mortos, apesar de um estudo recentemente publicado pela prestigiada revista científica britânica Lancet sugerir a morte de, pelo menos, 655,000 Iraquianos, poderá apenas ser atribuído à sua extraordinária modéstia.
Porque outra razão ele rejeitaria o estudo como 'coisas de adivinhos' ou faria questão de desacreditar a 'metodologia utilizada', apesar do governo norte-americano gastar milhões de dólares por ano a treinar Organizações Não Governamentais nesta mesma metodologia? Júlio César teria reclamado tais números para si com rapidez e contentamento.
Aqui reside a maior diferença: Júlio César era um tirano vaidoso e ambicioso. George W Bush é um tirano modesto e auto-depreciativo.

· Terry Jones is a film director, actor and Python http://www.terry-jones.net/

10.10.06

no comment


steve bell cartoons

9.8.06

the simpsons classic line #88

homer: "I wish god were alive to see this."

elliot erwitt


amsterdam, holland 1971 - it was a very good year... ;)

8.8.06

think about it...

para quem gosta de fotografia de rua fica a recomendação:

http://www.flickr.com/photos/thinkaboutit/

blogue fotográfico do meu amigo inglês de nome portuga nascido em malpica na vizinha galiza. josé varela tem um talento inato para esta vertente cada vez mais popular entre os adeptos do gatilho fotográfico. quase sempre no preto e branco do coração, as suas imagens espelham o lado positivo da vida, da rotina do quotidiano, de forma simples, elegante e estrutural. na era do digital, e apesar da canon rebel vanguardista oferecida pela noiva e arrumada no estojo debaixo da cama, faz-se armar apenas de leica tradicional, normalmente a nível da cintura para passar despercebido, um olhar fora do comum e doses de paciência fora do normal. ingredientes básicos e imprescindíveis para josé conseguir capturar momentos únicos que podem ser apreciados a vários níveis emocionais. para rir e pensar. para sonhar e reflectir... com uma piscadela ao grande fotógrafo americano da revista magnum elliot erwitt. high praise indeed! a foto apresentada foi-me oferecida e dedicada pelo autor como recompensa pela ajuda prestada no "scanning" de negativos e criação da página online. my pleasure, mate! não era necessário mas manda mais que fica muito bem cá em casa...

22.7.06

a morte do sr. lazarescu


simplesmente obrigatório! nunca a roménia pareceu tão perto...

3.7.06

vamos lá, rapazes!!!

31.5.06

no más muertes

29.5.06

the simpsons classic line #87

Superintendant Chalmers: "But I'm a public servant. I can't use my own judgment."

deadwood

"one hell of a place to make your fortune". mas constitui televisão de primeira! ian mcshane, no papel do dono de saloon al swearengen, entrou directamente no panteão dos maiores vilões da história cinematográfica. a ver. quando chegar... bem tarde devido ao colorido necessário da linguagem. apesar de 'fuck' ser 'pôrra' em português traduzido.

almost there boys... almost there!


steve bell cartoons

follow me

todos tínhamos sonhos em pequeno. ilusões a preto e branco que nos entravam em casa sem fundamento. "quando for grande quero ser astronauta" era a frase mais comum na altura. ver o armstrong aos pinchos na superfície lunar(?), a dar uma tacada de golfe na minha vívida imaginação. ou bombeiro como nos filmes. ou velocista estilo carl lewis ou edwin moses. outros tempos. outros sonhos quando estes eram permitidos pela inocência. mas a vida muda e todos mudamos com ela. aumentam as responsabilidades e os sonhos caiem como pedras soltas no desfiladeiro da vida. impõem-se decisões concretas, eficazes, cruas, sem lugar para sentimentalismos. há contas para pagar, prazos a cumprir, gente para falar. e os sonhos vão ficando esquecidos pelo tempo que tudo banaliza. porque agora toda a gente pode ser astronauta, até milionários judeus de new york pagam 20 milhões de dollars para darem uma voltinha espacial com os russos. ser bombeiro, afinal, é perigoso até nos filmes e paga mal; para mais, as mulheres foram substituindo o ideal masculino do imaginário viril uniformizado por fatos e gravatas de conforto financeiro e duplexes com vista para o rio. o atletismo está minado de drogados e cada vez menos acredito na veracidade e legitimidade dos resultados obtidos nas pistas mundiais. por isso vou andando com menos sonho do que desejaria. porque o sonho não pode mesmo comandar a vida como dizia a cantiga. pelo menos a partir de certa altura. mas recentemente tive uma epifania laboral no autocarro que transporta os passageiros do avião para o terminal na portela lisboeta: absorto em cansaço e pensamentos de fim de viagem, lembrei-me depois de o ver passar que gostava mesmo de ser era condutor do 'follow me' no aeroporto de lisboa. para quem não sabe, o 'follow me' é um fiesta ou jeep amarelo e preto, pintado à boavista, e conduzido a alta velocidade pelo tarmac do aeroporto por pseudo aspirantes a michael schumacher, que indicam aos pilotos para onde levarem o avião. como se eles não soubessem, coitados! ganham milhares de contos por mês e não sabem estacionar! eu entendo, o aeroporto da capital é tão grande que ainda se perdem e vão beber café ao prior velho. segundo consta nos anais aéreos, e na minha humilde experiência, é coisa lusitana, pois não existem em mais lugar nenhum da europa ou do mundo civilizado. se o carro é rápido, mais ainda é o condutor do dito, normalmente baixinho mas altivo, sempre de óculos escuros e fitinha à beto ao pescoço, a sair do carro a grande velocidade para acabar o serviço à mão, gesticulando para o cockpit com ares de ballerina sonolenta. "vá lá pôrra, que tenho a gaja ao telefone e o lufthansa chega daqui a dez minutos...". no outro dia a pressa era tanta que acabou por abalrroar um carrinho de golfe que puxava as malas do voo de ponta delgada. muito açoreano deve ter entrado no continente sem muda de roupa interior. para não falar no queijinho da ilha para a família. nem a propósito, o plano anual de exploração dos aeródromos regionais da sata - gestão de aeródromos, s.a. - prevê a aquisição de viaturas 'follow me' para os aeródromos do pico, são jorge e graciosa. adivinha-se cerrada competição pela conquista dos postos de trabalho, particularmente na ilhas esquecidas pelo tempo onde aterra um ou dois mosquitos por dia. bastava ter pintado o carro da junta de freguesia e coordenado horários com a padaria para não interferir na distribuição dos papo-secos...

insecto por identificar

li hoje de manhã que a direcção geral de saúde (dgs) está ainda a tentar identificar o insecto misterioso que desde sexta-feira tem aparecido em grande número nas zonas costeiras da grande lisboa. que "poderá ser ou não um mosquito mas que em portugal não há conhecimento, nos últimos anos, de transmissão de doenças através de mosquitos". estarão à espera de um "ufffffffa" de alívio a nível nacional? porque não me parece que tal vá acontecer. porque raio não me sinto mais descansado? porque terei a sensação de, mais uma vez, uma entidade oficial como a dgs não estar minimamente preparada para explicar e/ou agir sobre algo que cai sobre a sua jurisdição mas que parece estar a ser tomado de ânimo leve, no deixa ver... como o departamento de reclamações de qualquer empresa, por exemplo uma seguradora: "só tomamos providências se houverem mais de 10 queixas sobre a mesma coisa; senão deixa estar!" claro que a recente e fora de tempo vaga de calor é susceptível de atrair todo o tipo de bicheza alienígena à costa portuguesa. claro que as criaturas demoram menos tempo a completar o ciclo reprodutivo. mas poderiam ter lançado um comunicado mais elaborado cá para fora, ou pelo menos uma explicação que fizesse sentido e tranquilizasse a população a respeito da praga verde e voadora que resolveu visitar a costa lisboeta este fim de semana. para além de umas traças com pinta de evil knievel. apanhei uns poucos cá em casa para prontamente os devolver ao estio antecipado de maio lá fora. e fiquei na dúvida se o lixo esquecido na varanda teve alguma coisa a ver com os visitantes inesperados...

25.5.06

ontem em timor leste...

chris mason, um expat a trabalhar em dili, timor leste, envia este relato da atmosfera que se vive na cidade:

estou a ser evacuado para darwin durante 7 dias. parto em três horas. Se tudo estiver bem depois, regresso a dili.
hoje às 1000 da manhã um carro civil passou pela vizinhança e, antes da minha casa, atirou uma lata de gás lacrimogénio pela janela. ainda atingiu vários locais antes que estes pudessem fugir.
um expat da escócia passou de carro ontem à tarde pela zona comercial de colmer e disse que havia apenas uma loja aberta. tudo mais ou menos deserto portanto...
um táxi parou à porta da loja e quatro tipos munidos de machetes tentaram forçar a entrada no estabelecimento.
o dono teve grandes dificuldades em fechar as portas corrediças de ferro antes dos assaltantes lá chegarem.
sensação de ser um pouco terra sem lei.
a maioria dos bairros e vizinhanças juntaram grupos de pessoas para se protegerem dos bandidos, já que a polícia simplesmente não dá a cara, excepto de carro e a grande velocidade.
joguei ténis esta manhã nos courts da universidade. normalidade é importante. tudo calmo até às 0700 horas, quando ouvimos o tiroteio vindo de sudoeste, a cerca de 2-3 kms.
fui de bicicleta até ao aeroporto por volta das 0720 horas e já haviam bloqueios de estrada na rotunda principal.
deixaram-me passar com o polegar para cima. tudo calmo no aeroporto. ainda não há sinal de tropas estrangeiras.
o mercado de comorro tinha muitas bancas abertas e parecia cheio de gente.
tenho de ir. fazer o saco para estar no aeroporto em 45 minutos.


in bbc.co.uk

24.5.06

the simpsons classic line #86

Mr. Burns: "Woah, slow down there maestro. There's a *New* Mexico?

haruki murakami

parece que está na moda ler murakami. ou melhor, de repente a última obra do grande escritor contemporâneo japonês haruki murakami, "kafka à beira-mar", está presente praticamente em todo o lado onde se pode comprar um livro hoje em dia: livrarias e bombas de gasolina, hipermercados, estações de correio, casas de pasto e de alterne. até já foi hertzianamente mencionado pela mulher do ex ministro vaidoso que perdeu a corrida à câmara de lisboa recentemente num magazine semanal de cultura no segundo canal da televisão pública. ainda bem que tal acontece, por uma lado. murakami é um escritor prodigioso e verdadeiramente original que merece toda a atenção do público leitor. o consumo das suas obras é obrigatório para quem se interessa realmente pela leitura e os mundos fantásticos onde esta nos transporta vezes sem conta. pode ser até que se publiquem mais livros do autor em português, apesar de se ter começado a traduzir a sua obra pelo fim, bem ao jeito português, e sem qualquer menção ao tradutor original de japonês para inglês, porventura a parte mais complicada do trajecto. por outro lado, o fast consumo da obra de murakami não será proveitoso para a integridade da mesma, que deverá ser encarada como um todo dividido em capítulos-livros, mesmo os de não-ficção, nomeadamente o excelente "underground" sobre o atentado com gases químicos no metro de tókyo em 1995 ou "after the quake". como é impossível apanhar todos os livros do autor, muito menos pela ordem cronológica que se deveria aplicar neste caso particular, a meu ver, como fã incondicional do corpo de trabalho do escritor, todos os eventuais leitores de murakami deveriam começar por "norwegian wood", uma história semi autobiográfica sobre a vida universitária japonesa, uma história bela e simples sobre o primeiro amor, desesperado e sem esperança, de Toru, um rapaz como tantos outros que tenta simplesmente ser e saber estar. se gostarem - é impossível outro resultado - deverão passar para a obra prima do autor, "the wind-up bird chronicle", infelizmente ainda não editado em português: uma confusão gloriosa, uma história cheia de histórias, um casamento desfeito misteriosamente, um gato que desaparece, a superficialidade da política contemporânea, memórias de guerra dolorosas, etc. a genialidade de contador de histórias de murakami - combinando elementos de humor, ficção detective, verdades metafísicas, enquanto transforma realismo banal em revelações completamente surreais - está presente ao máximo neste livro único, autêntica tour de force literária. ao deixar correr a sua imaginação, ao soltá-la num contexto político e social, temos a alma retratada de um país mergulhado em violência no final do século passado. enquanto o oriente tenta encontrar o ocidente. a velha história do east meets west. e ninguém melhor que murakami para estabelecer essa ponte entre as duas culturas. viciante. livro e obra obrigatórios!

another brick in the wall

daryl cagle cartoons

já não deve ser notícia para ninguém mas o congresso americano, em vésperas de perder a maioria republicana devido aos baixos índices de popularidade do presidente bush, está a pensar mandar construir um muro com 1100 kms de comprimento e vários metros de altura ao longo da fronteira com o méxico. porquê? porque 75% da população americana pensa que os emigrantes ilegais que entram nos estados unidos todos os dias são a causa mais preocupante na imensa nação do tio sam. qual iraque ou educação, que se quilhe a saúde, não podemos é deixar entrar mais gente para fazer todos aqueles trabalhos que nós não queremos fazer porque já cá estão demasiados! oh well... por isso vamos imitar soviéticos e israelitas, expoentes da democracia mundial, e vamos mandar construir mais um muro no planeta. "el muro", como já é conhecido no méxico. segundo factos oficiais publicados, cerca de 1500 emigrantes ilegais atravessam a fronteira usa-méxico todos os dias e quase 5 milhões de pessoas vivem ilegalmente nos estados unidos. uma gota (preciosa) no oceano demográfico americano. mais um muro não vai ajudar nem resolver absolutamente nada! só para contrariar, eles vão continuar a entrar por todo o lado, como sempre fizeram e os custos da "obra", a suportar pelos estados envolvidos (california, arizona, new mexico, texas, louisiana) serão exorbitantemente ridículos para a economia local. para mais - e aqui não tenho dúvidas - tal erecção será apenas mais uma mancha nas debilitadas relações americanas com o resto do mundo. porque não gostamos de muros no mundo ocidental. ponto final... aprendam com os erros cometidos ao longo da história e deixem-se de muros. recebam condignamente quem quer trabalhar, com simpatia e de braços abertos, quem está disposto a chafurdar na merda a troco de míseros dollars para enviar para a família, quem se insere rapidamente na comunidade (o espanhol JÁ é o idioma mais falado nos estados unidos), com respeito por valores totalmente desconhecidos para o americano comum dos estados sulistas. 4th of july ou 5 de mayo? que pena o méxico não ficar ao lado de marrocos...

4.5.06

portugal na bomba

assim vai o nosso portugal cosmopolita. na bomba espanhola da repsol em nenhures à espera do pão quente que está mesmo a sair, o ukraniano da caixa repara na foice e martelo estampados na camisola do angolano que pediu um café. "sabe que já fui a serpa e a grândola à procura das raízes do comunismo português?", dizia quase sem sotaque e ar orgulhoso para a plateia de dois. o meu sorriso não teve cumplicidade africana. a política do angolano era outra e tinha mais a ver com a bola; visivelmente alterado pela nega da fifa à inclusão do portista pedro emanuel na selecção da sua terra, esqueceu-se dos múltiplos convites - sempre negados pelo jogador - da federação angolana ao defesa-central do fcp para representar os palanquinhas. só que em ano de mundial, a vontade de ser angolano era bem diferente; um segundo vento patriota que não passou da carícia de uma brisa de final de tarde. "mas não faz mal, se ganharmos a portugal seremos campeões do mundo", foi a frase do dia que chocou o estabelecimento. mais ainda que a fotonovela do pintinho e da maria eliza estampada por toda a imprensa cor de rosa. muito pior do que o lcd da caixa registadora a pedir €1.34 por litro de '95 sem chumbo! mas a bola é redonda e é um jogo de duas partes, para meter as frases-feitas. apesar de ser tão improvável como um dia quente no inferno ou voltarmos ao comunismo no alentejo. ou como a descida no preço da gasolina mas que tinha piada...

3.5.06

batido de morango...

para fazer um em casa, bastam quatro ingredientes base: leite, gelo, morangos e açúcar. baunilha é opcional. mais coisa menos coisa. agora vejamos os ingredientes que podemos encontrar no mesmo produto, por exemplo, num restaurante de fast-food da cadeia mcdonald's: natas de leite gordo e magro, açúcar, soro de leite coalhado, xarope de milho rico em frutose, monoglicéridos e diglicéridos, goma de celulose, fosfato de sódio, ácido cítrico, E129 e sabor artificial de morango. e o que contém o "sabor artificial de morango?" apenas todos estes químicos deliciosos: vai em inglês no original para ser mais rápido...
amyl acetate, amyl butyrate, amyl valerate, anethol, anisyl formate, benzyl acetate, benzyl isobutyrate, butyric acid, cinnamyl isobutyrate, cinnamyl valerate, cognac essential oil, diacetyl, dipropyl ketone, ethyl butyrate, ethyl cinnamate, ethyl heptanoate, ethyl heptylate, ethyl lactate, ethyl methylphenylglycidate, ethyl nitrate, ethyl propionate, ethyl valerate, heliotropin, hydroxyphrenyl- 2-butanone (10% solution in alcohol), ionone, isobutyl anthranilate, isobutyl butyrate, lemon essential oil, maltol, 4-methylacetophenone, methyl anthranilate, methyl benzoate, methyl cinnamate, methyl heptine carbonate, methyl naphthyl ketone, methyl salicylate, mint essential oil, neroli essential oil, nerolin, neryl isobutyrate, orris butter, phenethyl alcohol, rose, rum ether, undecalactone, vanillin and solvent.
Mmmm, tudo menos morangos... mas o "methylphenylglycidate" deve ser bom!

retirado do novo livro de Eric Schlosser, "Chew on This", mais um ataque necessário às cadeias de fast-food e ao Mac em particular, sobre a forma como a indústria explora as crianças muito novas. seguem mais passagens em breve....

the simpsons classic line #85

Homer: "If The Flintstones has taught us anything, it's that pelicans can be used to mix cement."

reality eagle

uma webcam colocada num ninho de águias carecas americanas pacientemente a incubarem dois ovos captivou pessoas de todo o mundo e recebe cerca de 10 milhões de visitas por dia. é, sem dúvida, um evento ornitológico de grande importância para a comunidade observadora de pássaros; os pintos estão para sair a qualquer momento e os visitantes online esperam testemunhar em directo o rebentar da casca. a webcam foi instalada por doug carrick, um contabilista reformado de 73 anos, depois de reparar que as águias se tinham aninhado no topo de uma árvore na sua propriedade na ilha de hornby, british columbia, canadá.
devo dizer que a qualidade das imagens é excelente! quando visitei o site, depois de alguma paciência dado o volume colossal de hits por minuto, consegui distinguir claramente uma das águias "sentada" no ninho a observar aquilo que a rodeia; com audio real, a águia chilreia enquanto o vento sopra nas suas penas, transmitindo ao visitante uma sensação de relaxe absoluto. um site a visitar, apesar da pletora de links publicitários entretanto aparecidos na página do sr. carrick, cujo desejo principal é expor as pessoas à beleza das águias e à necessidade de proteger os seus habitats naturais. simple as that! well done sir...

noite de copos lá fora...

depois de jantar em san francisco, acabámos a noite num pub irlandês junto ao hotel westin saint francis, ou "the shining", como é conhecido entre a comunidade voadora, onde normalmente ficamos hospedados. era tão típico como os originais da ilha esmeralda. acreditem que não é fácil transportar o ambiente de um pub irlandês tradicional para fora do seu genius loci, mas este conseguiu. o espanto é ser aqui na califórnia, bem longe da costa leste e dos focos normais de emigração irlandesa para a terra do tio sam. o barman era um cromo radicado por estas paragens há quase vinte anos. da velha guarda, portanto. quando em roma... pedi uma cerveja preta. o paddy tirou metade da pint de guinness, deixou-a repousar durante aproximadamente 3 minutos, honrando o tempo e tradição irlandesas para a cerveja assentar. tempo que permite também ao barman perguntar-te quem és, de onde vens e porque aqui estás. os outros (poucos) clientes escutam e abanam a cabeça. depois, acaba de encher a pint, alisa o topo com uma espátula e espera que dês o primeiro gole para continuar a conversa. "estáva-mos a falar da guerra e do bush, que grande sacana que ele me saiu"! "é verdade", respondi, "mas, apesar de pouco inteligente, ・um sacana esperto... tem que ser, para conseguir ter forjado a presidência dos eua." e a palheta prosseguiu nestes termos. o saddam, o blair, a união da velha europa e os dinheiros distribuídos para portugal e irlanda. para onde foi a massa. e para que bolsos, principalmente... risada geral. depois fomos à música, ao fado e à amiga sinead o'connor. não literalmente, claro, ainda por cima a rapariga já é freira ou coisa parecida. o que nos levou a falar de padres e bispos com um sex-drive bastante activo. e do carlos cruz. e do bill clinton e da mónica. "no more fat chicks", como diria o jay leno. as traineiras portuguesas e espanholas no mar da irlanda também navegaram por aqui. uma noite que se adivinhava longa afinal começava a ficar curta. a conversa estava óptima e a minha (nossa) opinião era sempre pertinente. "a sério?". "e o que acha de tal e tal?". já não me lembro de uma noite assim, com partilha de assuntos de forma tão amena e cordial. uma partilha de opiniões para ser digerida, em vez de desacordos para originar confrontos. tudo isto sem música, slot-machines ou televisão. as poucas interrupções que houve foi para servir mais umas pints aos presentes. uma noite quase perfeita num pub quase perfeito. uma noite que deixou uma sensação "quentinha" cá dentro, onde importa. especialmente quando acompanhada de 4 ou 5 pints de guinness. o vento fresco e brejeiro à saída do "molly's" ajudou no regresso ao hotel. com o ar condicionado no mínimo, (incluindo o volume!) dormi como um menino até ao cornbeef hash do pequeno-almoço no moulin rouge do koreano que joga bem golfe...

tracklist da semana (álbuns)

01 bonnie "prince" billy & matthew sweeney - superwolf 02 calexico - garden ruin 03 islands - return to the sea 04 donald fagen - morph the cat 05 howe gelb - 'sno angel like you 06 ron sexsmith - retriever 07 portugal.the man - waiter: you vultures 08 crooked fingers - dignity & shame 09 jason collett - idols of exile 10 monsieur gainsbourg revisited 11 dirty pretty things - waterloo to anywhere 12 the sounds - dying to say this to you 13 the zutons - tired of hanging around 14 the streets - hardest way to make a living 15 the duke spirit - cuts across the land 16 band of horses - everything all the time

26.4.06

20 anos depois... chernobyl remembered

20.4.06

he did it again...

sublime. "keep it positive and it will work", disse o director de "voices of praise", o coro de vozes que colabora com howe gelb neste álbum brilhante e inovador, gravado nas terras frias do canadá ao invés do habitual deserto do sudoeste americano. it did work... obrigatório!

"there's only one squirrel",

cantavam os fans do north bank em highbury park a noite passada. não se deixou apanhar, como bom esquilo cinzento e londrino que é, mostrou mais fintas de corpo do que riquelme e ainda obrigou à interrupção do jogo das meias-finais da champions league entre o arsenal e o villareal durante 4 minutos. o árbitro preparava-se mesmo para lhe mostrar um cartão amarelo por perder tempo quando o sciurus griseus ( blog é cultura!) resolveu sair de campo e tomar banho mais cedo. foi talismático na vitória dos gunners no último jogo europeu de sempre no velho e histórico highbury antes de se mudarem para o moderníssimo ashburton grove no início da próxima temporada. well done my son...

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