portugal na bomba
assim vai o nosso portugal cosmopolita. na bomba espanhola da repsol em nenhures à espera do pão quente que está mesmo a sair, o ukraniano da caixa repara na foice e martelo estampados na camisola do angolano que pediu um café. "sabe que já fui a serpa e a grândola à procura das raízes do comunismo português?", dizia quase sem sotaque e ar orgulhoso para a plateia de dois. o meu sorriso não teve cumplicidade africana. a política do angolano era outra e tinha mais a ver com a bola; visivelmente alterado pela nega da fifa à inclusão do portista pedro emanuel na selecção da sua terra, esqueceu-se dos múltiplos convites - sempre negados pelo jogador - da federação angolana ao defesa-central do fcp para representar os palanquinhas. só que em ano de mundial, a vontade de ser angolano era bem diferente; um segundo vento patriota que não passou da carícia de uma brisa de final de tarde. "mas não faz mal, se ganharmos a portugal seremos campeões do mundo", foi a frase do dia que chocou o estabelecimento. mais ainda que a fotonovela do pintinho e da maria eliza estampada por toda a imprensa cor de rosa. muito pior do que o lcd da caixa registadora a pedir €1.34 por litro de '95 sem chumbo! mas a bola é redonda e é um jogo de duas partes, para meter as frases-feitas. apesar de ser tão improvável como um dia quente no inferno ou voltarmos ao comunismo no alentejo. ou como a descida no preço da gasolina mas que tinha piada...


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